Páginas

Mostrando postagens com marcador RUAS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador RUAS. Mostrar todas as postagens

sábado, 23 de outubro de 2010

Av. João Pessoa

AV. JOÃO PESSOA - Bairro DAMAS
A antiga aldeia indígena Potyguaras transformou-se, em 1607, no lugarejo fundado pelos Jesuítas, Parangaba. O nome português dado ao lugar era Arroches, a partir de 1759, com a invocação de Bom Jesus dos Aflitos. Depois passou a chamar-se Porangaba. A estrada Fortaleza-Porangaba, distando 7km e 200m, era de areia batida até 1929, quando o governo federal, na época de Washington Luiz, mandou fazer a estrada de concreto. Quem construiu a estrada foi a Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas - IFOCS, que contratou o serviço com uma firma construtora. Ao terminar a avenida esta ganhou o nome de Washington Luiz, mas logo veio a Revolução de 1930 e o povo arrancou as placas e substituiu por João Pessoa, que tinha sido assassinado naquele ano e embora o crime fosse por razões pessoais a ocasião o transformou em crime político para fortalecer os antagonistas da candidatura do governo.
Os meios de transporte para Porangaba eram os ônibus e o trem. Na década de 40 havia alguns pequenos ônibus tipo lotação do Rio de Janeiro que ajudavam no transporte para Porangaba.
Depois Porangaba trocou o "O" pelo "A" e passou a chamar-se novamente Parangaba, como os indígenas a chamavam. Em 1967, na administração Murilo Borges, foram introduzidos em Fortaleza os ônibus elétricos e uma das linhas era a de Parangaba.
A avenida João Pessoa já foi conhecida como "avenida da morte", quando tinha duas mãos e era a única via entre os dois locais. Hoje Fortaleza é ligada a Parangaba por várias vias, sendo as principais as avenidas Alberto Magno, João Pessoa e José Bastos.
Já nada, absolutamente nada mais existe da antiga avenida na foto atual, de Osmar Onofre, nem o concreto, que foi coberto pelo asfalto.

AV. Filomeno Gomes - Jacarecanga

AV. FILOMENO GOMES - JACARECANGA
Quem sai da praça do Liceu e se dirige ao cemitério São João Batista, Igreja dos Navegantes ou Escola de Aprendizes Marinheiros ou, ainda, à praia, certamente ficará na posição em que ficaram os fotógrafos tanto da foto antiga como da atual.
Na foto velha, que data do final da década de 40, vemos como era o bairro de Jacarecanga na época, com suas mansões, seus bangalôs, equivalendo à Aldeota. A primeira casa que vemos pertenceu ao secretário do governo do Estado, Brasil Pinheiro, seguindo-se a de Stênio Gomes e outros. O governador, na época interventor federal, era Francisco de Menezes Pimentel. Outros bangalôs podem ser vistos à distância. O calçamento era de pedras toscas, os trilhos dos bondes corriam ao longo da avenida, bem como os fios apoiados em postes da "The Ceara Light and Power Ltd.". As árvores eram pés de ficus-benjamins que eram regularmente podadas.
A foto atual, fruto da objetiva de Osmar Onofre, foi tirada do mesmo ângulo, embora pareça de outro pela posição do meio-fio da calçada da direita, mas é que a calçada atual é mais larga que a antiga.; a casa que foi de Brasil Pinheiro ainda está lá, da mesma forma, com alteração apenas no muro da frente. As casas que se seguem também sofreram pouca alteração, a não ser na vizinhança, pois existem construções novas entre elas. Note-se que a casa que foi de Stênio Gomes da Silva sofreu visíveis alterações, tendo sido retirado o telhado de beira-e-bica de quatro faces.

Outras alterações na foto atual são a presença do asfalto na pavimentação, a pintura do meio-fio que hoje é caiado, a ausência dos fios, postes e trilhos dos bondes. A região, mesmo na época dos bondes, foi servida pelos ônibus de Oscar Pedreira.

Av. Santos Dumont

AVENIDA SANTOS DUMONT - CASTELO DO PLÁCIDO
O comerciante Plácido de Carvalho era proprietário de muitos terrenos no centro da Cidade, onde vários importantes prédios foram levantados, como o "Majestic" em 1917 e o "Excelsior" em 1930.
Quase todo o quarteirão da Rua Major Facundo que ficava na praça do Ferreira era seu. Além de comerciante era também industrial, tendo uma fábrica de mosaicos estabelecida em 1905, com escritórios na rua Barão do Rio Branco.
Em uma de suas viagens à Europa, conheceu na Itália a jovem Pierina Giovanni, a quem propôs casamento e vinda para o Brasil.
Como insistisse muito, a jovem condicionou sua vinda à construção, por ele, de um palácio para ela e ele. Adquiriu um planta de um palácio na Itália e o fez construir em Fortaleza, por João Sabóia Barbosa, na Avenida Santos Dumont, entre a Rua Carlos Vasconcelos e a Rua Monsenhor Bruno.
Assim casaram e viveram juntos até a morte de Plácido. Essa história é contada de boca em boca na cidade, não havendo, porém nenhuma confirmação oficial. Isto ocorreu por volta de 1912. Depois a viúva Pierina casou-se com o arquiteto Emílio Hinko.
Na década de 30 o castelo foi ocupado pelo Serviço de Malária, departamento federal que equivale hoje a Sucam.
Na década de 1970 a castelo foi demolido por tratores para construção no local de um supermercado, mas passaram-se os anos e o terreno ficou abandonado até que o governo o desapropriou e nele construiu a Central de Artesanato Luiza Távora, feita com troncos de carnaubeira que aos poucos foram se deteriorando pela presença de cupins. Ultimamente foi reconstruído e é o que vemos na foto atual.
A fotografia antiga é do final da década de 30 e foi batida pela Aba Film, uma foto de um ângulo bastante artístico.
As fotografias seguintes procuraram o mesmo ângulo, sendo a segunda de 1976, colhida por Nirez e a última atual, batida por Osmar Onofre. Infelizmente o Centro Artesanal não tem o mesmo porte do castelo, além de existirem prédios "espigões" por trás.

Rua Almirante Jaceguai

RUA ALMIRANTE JACEGUAI - Descida da PRAINHA
A foto antiga data de 1905 e mostra a atual rua Almirante Jaceguai vista da avenida Leste Oeste, ou começo da avenida Monsenhor Tabosa, olhando para o lado do mar. Do lado esquerdo, o oitão da casa construída no século passado pelo senhor José Pio de Farias, que era agente do Loyd Brasileiro. A casa tinha uma torre de onde ele observava a saída e chegada de navios. Depois a casa foi vendida para o engenheiro inglês Francis Reginald Hull, conhecido apenas como Mister Hull e que hoje é nome de avenida em Fortaleza. Ele aproveitou a torre para fazer suas observações astronômicas e meteorológicas, fazendo-se autoridade em estudos climáticos do Nordeste. No horizonte, vê-se um navio, já que o porto era a ponte de desembarque que ficou conhecida como Ponte Metálica. (ver texto 80).
A rua, na fotografia antiga, tinha, no meio da ladeira, vários degraus que podem melhor ser vistos em outra foto neste mesmo livro. Na época havia somente bondes de tração animal e não havia nenhuma linha que fosse até ali, mas no período dos bondes elétricos uma linha ia até os degraus e tinha o destino "Prainha", era da companhia Inglesa "The Ceara Tramway Light & Power Co.".
A Segunda foto date de 1990 quando a casa foi parcialmente depois demolida, passando a servir de estacionamento de carros. O restante da rua tinha algumas casas que serviam de armazéns e/ou casas comerciais, muitas de exportação e importação. Distante, o prédio que abriga a Capitania dos Portos.
Na foto atual, de autoria do fotógrafo Osmar Onofre,percebe-se que além das mudanças naturais de época, como o calçamento pelo asfalto, as calçadas e meio-fio, postes em vez de combustores e a destruição da casa de Mr. Hull, a vegetação próxima à praia, onde além das árvores de copa, abundavam coqueiros, foi dizimada.
Foi construído no local, em 1998, tomando vários quarteirões, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, inaugurado em 1999, entre a Rua Boris, Avenida Leste Oeste, Rua Almirante Jaceguai e Avenida Pessoa Anta, com salas de exposições, cinemas, teatro, anfiteatro, auditórios, café, ateliê de arte, salas de aulas e espaços para "shows". Dentro do Centro, são também inaugurados o Planetário Rubens de Azevedo, pelo próprio, e o Anfiteatro Ministro Sérgio Mota. A Rua Almirante Jaceguai foi alargada e hoje tem um canteiro no centro.
RUA ALMIRANTE JACEGUAI - Subida da PRAINHA
Temos aqui três fotografias da atual Rua Almirante Jaceguai, que nasce na Avenida Pessoa Anta e morre na Avenida Leste-Oeste, em frente à Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Prainha. A foto mais antiga data de 1912, a do meio é de 1985 e a outra é atual.
Em 1839, Antônio Joaquim Batista de Castro requereu à Câmara Municipal licença para construção de um templo sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, ao mesmo tempo em que pedia a abertura de um beco nas imediações.
De posse da licença, foi criada uma irmandade para conseguir meios para a construção. Conseguem com o arquiteto e engenheiro José Antônio Seiffer a planta da capital. A partir de 1864, é criado o Seminário Episcopal e os dois prédios passam a ser um bloco só.
Vemos na foto antiga o final da linha de bondes e também dos fios. Ali o bonde tinha sua lança virada e seus bancos também, ficando o encosto como assento e vice-versa. Também estão presentes dois combustores a gás carbônico, além de um poste de madeira.
Na esquina, a torre do observatório existente na casa do Mister Frances Hull, onde ele fazia suas observações astronômicas e meteorológicas, além de observar a chegada e saída dos navios no porto - na época, a ponte metálica. Como antigamente não havia carros, existiam degraus em toda a largura da rua, além das calçadas. No alto vemos a citada igreja.
A segunda foto já traz o asfalto, o meio fio, a uniformidade das calçadas, postes de concreto com transformadores, os restos da casa de Mister Hull, que foi derrubada para ser transformada em estacionamento. A igreja permanece com antes e já não há os degraus na rua.
A foto atual mostra a nova rua que foi construída como um dos acessos ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, com duas pistas; ambas descendo, os restos da casa de Mr. Hull desapareceram; placas nos postes e lixo na calçada compõe a nova paisagem; continuam incólumes a Igreja de Nossa Senhora da Conceição e o Seminário da Prainha que já não é mais seminário.
 

Av. da Universidade

AV. DA UNIVERSIDADE - BENFICA - ANTIGA VISCONDE DE CAUIPE
A rua General Sampaio, que já se chamou rua da Cadeia, ao chegar no cruzamento com a rua Antônio Pompeu, muda de nome, embora a numeração prossiga normalmente. Já se chamou de Benfica e foi Boulevard Visconde de Cauípe e hoje é Avenida da Universidade.
Eram comuns na Fortaleza antiga, casas pintadas com listras horizontais, como o estabelecimento de Frota Gentil, a casa do Barão de Camocim, as casas da Estrada de Ferro de Baturité, a casa da Barão do Rio Branco que abrigou a Câmara de Vereadores, etc. Esta casa também era assim, listrada.
A Casa da Avenida da Universidade nº1940, objeto de nossas fotos, foi residência do advogado Adolfo de Moraes Campelo, casado com Francisca Nepomuceno de Castelo Branco Campelo.
A foto antiga data de 1913 e mostra o prédio ainda muito bem conservado, novo mesmo, tendo pelo seu lado direito, algumas casas de telhado beira-e-bica, onde nasceu, na primeira, o compositor e pianista Lauro Mala, no ano desta foto. Na época ali já tinha bonde elétrico, pois estão presentes os trilhos e os fios.
As ruas àquela época eram bastante baixas em relação às calçadas e a coxia (sarjeta) ficava um pouco distante da calçada, talvez pela Irregularidade das mesmas tanto em altura como em largura.
A fotografia atual mostra o prédio com algumas modificações na entrada, como a coluna central que desapareceu para alargamento do portão e o abaixamento de uma delas para ficarem todas na mesma altura. As ranhuras das fachadas, inclusive as do porão, foram retiradas. Os prédios vizinhos já foram reformados,
Nesta casa funcionou, por muitos anos, o Ginásio Fortaleza, hoje funciona a Clínica Godoy Moreira, de ortopedia, traumatologia e fisioterapia.

Rua E Casa Boris - na antiga Travessa da Praia

RUA E CASA BORIS - NA ANTIGA TRAVESSA DA PRAIA
A antiga travessa da Praia (atual Rua Boris), perpendicular à rua da Praia (Avenida Pessoa Anta), foi, durante muito tempo, conhecida como ladeira do Solon, por residir na mesma, no prédio que vemos ao longe na foto mais antiga (um chalé com portas arqueadas), o coronel Solon, que possuía uma plantação de videiras e lá residiu por 21 anos.
Na velha foto, de cartão postal de 1910, vemos, na esquina, uma casa tipo beira-e-bica, seguida da Casa Boris, fundada em 1869, tendo como razão social a firma "Théodore Boris & Irmão" constituída de Aiphonse Boris e Théodore Boris, o primeiro chegado em 1865, de navio e o segundo pelo interior em 1867. Em 1870 a firma passou a denominar-se "Boris Frères", com a administração dos sócios Achiles Boris, Adrien Boris e Isaie Boris, tendo como sede a cidade de Paris.
Em 1878 Isaie veio morar no Ceará, chegando a vice-cônsul Francês. Quando se foi, em seu lugar ficou Achile. Graças à firma Boris Frères é que hoje temos a oportunidade de conhecer Fortaleza no início deste século, através de mais de cento e sessenta fotografias editadas em dois álbuns em 1908 sob o título de Vistas do Ceará - 1908 impresso em Nancy, França, por Imprimeries Réunies de Nancy. Infelizmente não foi identificado o fotógrafo.
Na velha foto os trilhos de trem passavam pela atual Pessoa Anta, no rumo do porto (Ponte Metálica), passando pela Alfândega.
Na foto atual, de Osmar Onofre, já não existem os trilhos nem o calçamento, mas o asfalto; as calçadas continuam irregulares tanto na largura como na altura, embora hoje existam o meio-fio e um código de obras e posturas que determina a regularidade tanto na altura como na largura; a casa de beira-e-bica foi reformada; a casa do coronel Solon desapareceu com a construção da avenida Leste-Oeste; novas construções surgiram prosseguindo a rua; postes de concreto levam a luz e a força através dos fios; somente a Casa Boris resistiu ao tempo.
Em frente à Casa Boris hoje existe um calçadão que vai da Rua Boris até a Rua Almirante Jaceguai, que faz parte do Centro Cultural Dragão do Mar de Arte e Cultura. Infelizmente existe hoje uma prática de pintar-se as casas antigas com cores vivas, o que não se fazia antigamente, tornando-as hoje ridículas.
Dever-se-ia proceder a uma prospecção para descobrir a tinta primitiva e da mesma cor pintar os edifícios para dar o aspecto da época.

Rua Baturité Eesquina com Rua Franco Rabelo

RUA BATURITÉ ESQUINA COM RUA FRANCO RABELO
Os bairros em Fortaleza nunca foram bem definidos, não se sabendo onde iniciam nem até onde vão. A Prainha, ou Outeiro da Prainha era um bairro que ficava em redor do Seminário, indo até a atual Avenida Pessoa Anta, Alberto Nepomuceno, Pereira Figueiras e Nogueira Acioli. Na verdade, existiam a Prainha e o Outeiro da Prainha. Esta foto antiga data de aproximadamente 1948. O muro que está em primeiro plano ficava na antiga rua Franco Rabelo, onde só existiam pensões de mulheres, cabarés e os "chatôs", hoje charnados de motéis, além de um posto policial. A rua começava na então travessa Baturité e se estendia até a praça do Cristo Redentor, seguindo com o nome de Avenida Monsenhor Tabosa.
A rua que vemos em ladeira nas três fotos era a citada travessa Baturité, que nascia na Rua José Avelino e terminava na Rua Rufino de Alencar. Ao longe, vemos o prédio da Secretaria da Fazenda, chamada na época da primeira foto de Recebedoria do Estado. Por trás, o mar, onde é visto o pontilhão de pedras que fica hoje ao lado da indústria naval ali existente. Era o Poço da Draga e a Praia Formosa. Os telhados que vemos são das casas que dão para a travessa Baturité, a rua José Avelino e para a avenida Pessoa Anta.
Com a abertura da Avenida Castelo Branco, que ficou conhecida popularmente por Leste-Oeste, a Rua Franco Rabelo praticamente desapareceu, restando apenas uma de suas placas, pois suas casas do lado Sul passaram a ser da avenida e as do outro lado foram demolidas. A travessa Baturité hoje é Rua Baturité, que foi cortada pela avenida. As casas no final da rua Baturité eram o boteco do Mane Bofão, com a tradicional panelada e o botequim Porta Aberta. A panelada do Mane Bofão já vinha do início da Avenida Alberto Nepomuceno e depois se mudou para a parte de cima da rua, em frente à casa do musicólogo Christiano Câmara (nº 162) e o Porta Aberta foi para o nº 41.
Na velha foto vemos um auto-ônibus; da época, com carroçaria

AV. Alberto Nepomuceno - Anexos da SEFAZ

AV. ALBERTO NEPOMUCENO - ANEXOS DA SEFAZ
Este é o segundo quarteirão da antiga Avenida Rua da Ponte, depois Avenida Sena Madureira, hoje Avenida Alberto Nepomuceno em foto que data de aproximadamente 1945 e mostra além da avenida com pavimentação de paralelepípedos, os trilhos dos bondes elétricos, da The Ceará Tramway Light and Power Ltd, que transitaram pela cidade de 1913 a 1947. Nesse caso eram os bondes da linha "Prainha". Os carros, tanto automóveis como caminhões mostram os modelos anteriores à época. Muitos dos caminhões - sua maioria - são aproveitamento de automóveis que tinham sua flandagem cortada para colocação de carroçaria de madeira feita em serrarias de Fortaleza.
Os prédios à esquerda, construídos em 1915 pelo comerciante Raimundo da Silva Frota abrigavam várias firmas, sendo que na esquina em frente à Secretaria da Fazenda (Recebedoria do Estado) ficava a firma Leite Barbosa & Companhia, o Sindicato dos estivadores, a Colônia dos Pescadores do Ceará e muitas outras casas do comércio atacadista.
No térreo funcionava a firma V. Castro & Companhia, agentes de navegação.
A Segunda foto, atual, obtida pela objetiva do fotógrafo Osmar Onofre, foi colhida num Domingo, por isto a ausência de carros, mas serve para mostrar como é a parte térrea dos prédios, que não é vista na foto antiga. As árvores desapareceram, existindo hoje apenas duas, plantada depois da derrubada das antigas, pelo tamanho. O governo do Estado, através do decreto nº 20.073, de 8 de maio de 1989, desapropriou os prédios que hoje pertencem à Secretaria da Fazenda, estando preservados embora pintados espalhafatosamente como antigamente não se fazia. Felizmente a fotografia atual, em virtude da luz, disfarçou as cores.
Mais referências à rua podem ser encontradas na página sobre a Secretaria da Fazenda

Praia de Iracema - Rua Tabajaras

PRAIA DE IRACEMA - RUA TABAJARAS - VILA MORENA
Construída pelo pernambucano descendente de portugueses José Magalhães Porto e sua esposa, Francisca Frota Porto, apelidada "Morena", às vésperas dos anos 20, na Praia do Peixe, a Vila Morena serviu de residência durante muitos anos, conservando em redor lindo jardim onde também eram criadas algumas aves. Localiza-se na Rua dos Tabajaras nº 406, na Praia de Iracema.
Veio a Segunda Guerra Mundial e com ela os estrangeiros que aqui aportaram, principalmente os soldados americanos que tinham base no Pará, Maranhão, Ceará e Rio Grande do Norte e alugaram a Vila Morena para ser o United States Office - USO, em 1943, quando a Praia do Peixe já era Praia de Iracema, nome dado pela cronista Adília de Albuquerque, esposa do jornalista Tancredo Moraes.
Após a Guerra dois portugueses alugaram a casa e colocaram um restaurante com especialidade em pratos portugueses. Em 1952 Zé Pequeno assumiu a direção da casa que passou a receber a boêmia de Fortaleza composta principalmente por intelectuais. Surgia assim o "Estoril".
Apesar de várias crônicas alertaram à municipalidade do perigo que corria a casa que aos poucos se deteriorava, nada foi feito pela Prefeitura que simplesmente deixou que ele ruísse em 1992, para depois reconstruí-la em concreto armado, quando a casa original era de taipa.
A casa era de taipa - paredes armadas de madeira (varas) com barro e pedaços de tijolos e pedras - tinha portas e janelas com vidros importados, duas escadas "caracol", "frades de pedra" na frente, calçadas em pedra cristal em preto e branco tendo no centro as iniciais JMP que também eram usadas nos portais, vitrais coloridos com a inscrição "Vila Morena" no alto da torre.
A primeira foto é do tempo do United States Office - USO e a segunda é do primeiro Estoril.
A partir da administração do prefeito Antônio Cambraia, em 1994, a casa foi reconstruída e passou a ser administrada pela municipalidade, sendo hoje, além do Estoril Restaurante, a Vila Morena, um local de encontros culturais, com exposições de fotografias, pinturas, esculturas, lançamento de livros, etc. Grande pé de castanhola à sua frente, cobre parcialmente sua fachada na foto atual colhida por Osmar Onofre.
 

Rua Guilherme Rocha

RUA GUILHERME ROCHA - RUA DA MUNICIPALIDADE
A Rua Guilherme Rocha, que hoje é um calçadão onde não passam carros, já foi uma rua muito movimentada, com trânsito de automóveis, ônibus, bondes, caminhões e carroças, além de pessoas e animais. Ela já se chamou travessa Municipal, Rua Municipal, Rua Nº 9, Rua 24 de Janeiro e Rua Coronel Guilherme Rocha. Hoje é apenas rua Guilherme Rocha.
Estamos vendo o cruzamento dela com a rua Major Facundo, na praça do Ferreira na década de 20. Do lado esquerdo vemos a esquina onde ficava o "Maison Art-Nouveau" e logo depois o "Restaurante Chic", tendo antes passado pouco tempo como "Maison-Riche". Na esquina do lado direito, temos o sobrado do Comendador Machado tendo no térreo o "Café-Riche", onde se reunia a intelectualidade de então.
Na foto antiga, além das casas citadas, vemos ainda multa gente, civis e militares, o bonde nº 28, da "Light" e dois automóveis típicos da época, com seus pneus estreitos parecendo de motocicletas. Naquela época (a foto deve ser de 1927) todos andavam de chapéu, velhos, moços, crianças, mulheres, todos tinham algo na cabeça, quer fosse um chapéu de massa, um de palhinha, um quepe, uma boina, enfim, qualquer coisa que servisse de cobertura para a cabeça, o que ainda hoje deveria ser usado, com o sol que temos.
A fotografia atual, de Osmar Onofre, traz o mesmo local totalmente modificado. O prédio do "Maison" foi substituído, em 1934, pelo edifício Granito e hoje tem em seu andar térreo a loja "Tok-discos" e no primeiro andar o Clube dos Advogados. A outra esquina, do "Riche", foi substituída em 1931 pelo "Excelsior Hotel" que tem hoje na esquina a loja "Presentes Nobre", que é também tabacaria; seguida da "Itamaraty" e da "King Jóia". Os carros já não transitam por ali e as pessoas hoje andam mais descompromissadas, mais à vontade, vestidas como se estivessem em casa. No calçadão foram plantadas árvores que já estão adultas.

Rua Floriano Peixoto

RUA FLORIANO PEIXOTO NO MERCADO DE FERRO
Estamos na Rua Floriano Peixoto, que já se chamou Boa Vista, Pitombeira, das Belas e Rua nº 5. Mas a foto antiga data de 1930, quando a rua já tinha o nome atual. Velhos sobrados no estilo neoclássico faziam aquela rua onde trafegavam ônibus da "Light", carros hoje conhecidos como calhambeques, carroças e animais. As pessoas andavam normalmente de chapéu, quer de massa, palhinha ou palha mesmo.
A bomba da gasolina da época dava um toque todo especial. Vemos por trás o velho mercado de ferro inaugurado em 1897 e dali retirado em 1937.
Também vemos os postes telegráficos, estes com várias hastes de apoio, cada qual comportando oito fios, totalizando 48 fios.
A posição do fotógrafo é de costas para o sertão e frente para o mar. Na foto antiga vê-se o Passeio Público à distância. Na atual ficou encoberto pela banca de jornal e revistas.
Do mesmo ângulo é a fotografia atual, onde existem resquícios do que foi outróra. Dos prédios da esquerda existe apenas o que foi do Banco Frota & Gentil e hoje abriga o Banorte. Do lado direito absolutamente nada mais existe da foto anterior.
O prédio do Banco do Brasil foi inaugurado em 1941 como sede e hoje é uma agência e o Palácio do Comércio que foi inaugurado em 1940 e hoje abriga no térreo uma agência do Banco Itaú. O asfalto substitui o antigo calçamento de pedras apiloadas; os postes de concreto-armado estão no lugar dos antigos de madeira ou ferro. Os trilhos e fios dos bondes que estão presentes na primeira foto já não se encontram na segunda.
Os bondes deixaram de circular em 1947 e os fios e trilhos foram retirados no ano seguinte. Telefones públicos "orelhões", sinalização nos postes, sinalização no chão e semáforo não existiam na foto antiga.

Rua Padre Valdevino

RUA PADRE VALDEVINO - PARQUE AMERICANO
Nesta foto do inicio da década de 1950, vemos o então famoso "Parque Americano" de Salomão Benício Sampaio, que ficava na rua Padre Valdevino, no cruzamento com a Rua Ildefonso Albano. Na época, o parque atraía pessoas de toda a cidade e sua fama foi tamanha que proporcionou a criação de uma linha de ônibus somente para atender a região, com o destino "Parque Americano", que parece ainda existir. A região passou a ser chamada de Parque Americano, criando-se um novo bairro com aquela denominação. Salomão já era proprietário do Bar Americano, na praça José de Alencar, na esquina da Ruas Guilherme Rocha com a Rua General Sampaio, num sobrado antigo ainda existente, porém já com portas largas.
O "Parque Americano" de diversões infantis, de Salomão Benício, como mostra a foto, ocupava meia quadra, tinha o muro pintado entre as colunas, para colocação de painéis de propaganda comercial. Vemos o portão de entrada, seguido do guichê de vendas de ingressos.
Em seguida um painel limpo e logo outro com a propaganda do leite "Karnak", muito em voga na época. Seguem-se, mais um painel limpo e outro com uma propaganda do Banco União, aquele que tinha o "slogan" de "Prende a terra o dinheiro da terra". Seguem-se outros painéis limpos e outro com propaganda, mas que não conseguimos ler.
Depois o parque desapareceu e Salornão colocou no lugar uma grande serraria, muito bem aparelhada. Também ali esteve a representação das "Camas Patente" de L. Liscio S/A e depois o supermercado Global".
Hoje, no local, estão os supermercados Família, no mesmo prédio onde foi o Global, tendo na frente um grande estacionamento para carros, no local antes ocupado pelo Parque Americano.

Rua Pedro Borges

RUA PEDRO BORGES - POSTO MAZINE
A Rua Dr. Pedro Borges tem inicio na Praça do Ferreira, mais precisamente na Rua Major Facundo e vai até a Rua Sena Madureira, onde muda o nome para Rua dos Pocinhos; (antigo Beco dos Pocinhos).
A foto antiga data de 1933, época em que era ainda novidade o posto de carros de aluguel "Mazine", do comerciante Waldemar Gomes Freire, conhecido por "Mazine", que durou até o início de década de 60 e que durante toda a sua existência só utilizou carros da marca "Packard". O escritório do posto e garage Mazine ficava onde é hoje a Casa Pio naquele quarteirão.
Na antiga foto vemos a pavimentação de concreto, os trilhos e fios de bondes e um exemplar de bonde, além de um "auto-ônibus" da "Light". A iluminação pública era feita por combustores a gás carbônico e na foto vemos alguns. No fundo, está, em construção, o prédio que depois abrigaria o bar "O Jangadeiro" de Luiz Frota Passos (onde depois esteve a Farmácia Humanitária) principal nos tempos de guerra.
Vizinho, o sobrado de esquina da década de vinte, onde funcionou o "Peixe-frito" ou "Trianon". Na dobra do lado direito da rua Pedro Borges, logo após a esquina onde foi a loja "A Cearense", de Aprígio Coelho de Araújo, que depois (1939) se mudaria para a rua Barão do Rio Branco, destaca-se o sobrado onde funcionava a famosa Padaria Lisbonense, que além do sobrado, ocupava também a casa de três portas vizinha pela direita. Em primeiro plano na foto, um guarda de trânsito característico da época, com quepe, túnica, culote e polainas.
A foto nova mostra a grande diferença de época pelos prédios, pela calçada, pelos postes e fios, sinalização, bancas de revistas, calçadões, novas lojas, iluminação a mercúrio, etc. Carnaubeiras enfeitam a nova praça e dois edifícios (espigões) servem de fundo. Na esquina agora estão as Lojas Leblon. Do lado direito temos hoje a Casa Amazônia; a Casa Pio, a Drogajafre, Via Sport e Leão do Sul. Do outro lado, onde foi A Cearense, hoje está uma loja do grupo C. Rolim e onde foi a Padaria Lisbonense hoje é o Shopping Lisbonense.

Rua Visconde Sabóia - Rua da Assembléia

RUA Vis. SABÓIA - Rua da ASSEMBLÉIA
As fotos foram colhidas da calçada da Igreja do Pequeno-Grande na rua Coronel Ferraz, sendo a mais antiga retirada do "Álbum de Vistas do Ceará - 1908", editado por iniciativa da Casa Boris. A rua enfocada chamava-se Rua da Assembléia, por passar em frente à Assembléia Legislativa, prédio hoje ocupado pelo Museu do Ceará. Os trilhos que vemos são dos bondes de tração animal, da Companhia Ferro-Carril do Ceará. O prédio do lado esquerdo é o ainda existente e que na época abrigava o Instituto Jesus-Maria José, recém fundado. A casa da esquina ao lado direito era a casa do poeta José Albano, filho de Barão de Aratanha.
A rua se chamou Travessa da Cacimba. A linha de bondes fazia esta curva sinuosa por vir do bairro do Outeiro (atual Aldeota) e seguir no rumo do centro da Cidade pela rua São José, passando em frente ao Palácio do Bispo, prédio hoje ocupado pela Prefeitura Municipal (Paço) e dobrando na Travessa Crato, hoje Rua Sobral.
Podemos ver, em comparação com a fotografia atual, que as calçadas foram reduzidas na largura. De todos os prédios, apenas ficou o da esquerda, onde foi depois o Serviço de Profilaxia, o Cine Paroquial, a Rádio Assunção Cearense, Organizações O Gabriel, a Marcosa e hoje é a Escola Nossa Senhora Aparecida. A árvore na rua logo desapareceu e as casas foram transformadas em prédios de apartamentos enquanto outras se transformaram em pontos comerciais. O prédio da esquina onde foi a casa de José Albano é hoje de apartamentos, onde reside o ator Ary Sherlock. Ao longe podemos ver, na foto atual, os prédios (edifícios) de concreto fazendo a cidade crescer para cima.
Pela foto atual, colhida pelo fotógrafo Osmar Onofre, vemos a presença dos grafiteiros, odioso modismo sem nenhum sentido, mas que certamente logo estará sendo exaltado, como ocorreu com o rock, miséria musical hoje consagrada como arte.

Rua Conde D'eu

RUA CONDE D'EU - CASA DOS GOVERNADORES
A primeira foto data de 1929 e mostra a Casa dos Governadores, onde em 5 de outubro de 1824, foi nomeada a Comissão Militar para julgar os revoltosos republicanos cearenses, que ali funcionou, na Rua Direita dos Mercadores, chefiada pelo tenente-coronel Conrado Jacob Niemayer, sendo arroladas 35 pessoas. Foram bacamarteados em 1825 vários heróis.
No dia 30 de abril, João Andrade Pessoa Anta e o padre Gonçalo Inácio de Loiola Albuquerque e Melo Mororó (Padre Mororó); no dia 7 de maio, tenente-coronel Francisco Miguel Pereira Ibiapina; em 16 de maio, tenente de milícias Luís Inácio de Azevedo (Azevedo Bolão); e no dia 28 do mesmo mês, tenente-coronel Feliciano José da Silva Carapinima.
Em 1929 o então prefeito Álvaro Weyne mandou demolir a casa, antes mandou fotografá-la, como fez com o Oitizeiro do Rosário e o portão do mercado conhecido como "cozinha do povo", que também ficava naquela rua e que trataremos na próxima matéria.
Mandou construir no local o Mercado Central, de frutas e cereal, que se inaugurou em 22 de setembro de 1932, que vemos na Segunda foto e que serviu à Cidade durante muitos anos, mas que depois ficou somente para artesanato e que com a construção de um novo na Avenida Alberto Nepomuceno foi transformado no Centro de Referência do professor.
A terceira foto data de 1990 e mostra em que estado estava o velho mercado que já havia se transformado em centro artesanal. Vivia momentos difíceis, pois estava condenado pelo Corpo de Bombeiros como uma fonte de incêndio.
A Quarta foto é atual, vendo-se como ficou após a total reforma. Sua inauguração deu-se no dia 27 de outubro de 2000, abrigando as instalações do Centro de Referência do Professor, da Prefeitura Municipal de Fortaleza.
O trabalho foi do arquiteto José Capelo Filho, abrigando a Biblioteca Virtual Moreira Campos, a Galeria Antônio Bandeira, a Sala de Referência do Município, áreas para café e o teatro aberto. Como o mercado, tem três entradas, pela Rua General Bezerril, Rua Sobral (antiga Travessa Crato) e Rua Conde D'Eu.
RUA CONDE D'EU - COZINHA DO POVO
Barba Alardo, que saiu do governo do Ceará em 1812, deixou um pavilhão de madeira no meio do cercado da casa da Câmara, simples telheiro onde eram feitas as feiras. Em 1814 é iniciada a construção de um mercado que tinha, como o atual, frente para a praça Carolina (atualmente Valdemar Falcão) outra para a rua Direita dos Mercadores (atual Conde d'Eu). Era deste lado que ficava este portão que ganhou do povo o apelido de "cozinha do povo".
Antigos resquícios da velha Fortaleza foram demolidos em 1929 pelo então prefeito Álvaro Weyne, precursor de José Valter, que antes mandou fotografá-los (triste consolo!), como a derrubada do oitizeiro do Rosário, a destruição da antiga "casa dos governadores" e este portão de mercado que trazemos nesta fotografia que foi uma das mandadas colher pelo citado prefeito.
Apesar da derrubada do portão da velha foto em 1929, o mercado de frutas e cereais só ficou pronto em 1932, sendo inaugurado no dia 22 de setembro, no primeiro aniversário do governo do capitão Roberto Carneiro de Mendonça.
Depois o Mercado Central já não servia às finalidades para o qual foi construído. A indústria do turismo transformou-o em ponto de venda de peças de artesanato, principalmente peças de bordados e labirinto, sendo um chamariz para os turistas que por aqui passam à procura de artesanato regional.
Na foto mais antiga vemos o portão do antigo mercado na Rua Direita dos Mercadores (atual Rua Conde D'Eu) conhecido popularmente como "cozinha do povo", demolido pelo prefeito Álvaro Weyne em 1929.
Na Segunda foto, que data de 1980, o mercado inaugurado em 1932 já deteriorado e servindo de centro artesanal para turistas e na parte térrea dos fundos vendas de raízes, ferragens, material de folha flandres, bombas de puxar água, tamancos, vassouras, espanadores, ralos, peneiras, rapa-cocos, tábuas para corte4 de carne, material para fogões, mesas, cadeiras, tamburetes, cavaletes, escadas, etc.
Vendo-se a fotografia atual, têm-se uma idéia da localização exata das antigas fotos. O sobrado que aparece uma ponta no canto direito ao alto, está nas três fotos. No velho prédio, hoje totalmente reformado e adaptado, funciona hoje o Centro de Referência do Professor.

Rua General Bezerril

RUA GAL. BEZERRIL - ANTIGA RUA DOS QUARTÉIS
Na esquina da Rua dos Quartéis (atual Rua General Bezerril) com a Rua da Misericórdia (atual Rua João Moreira), existiu, por volta de 1876, a escola do professor Raimundo Vieira e na mesma casa morou depois o Dr. Pauleta. Vizinho à casa da esquina ficavam estas casas que vemos na foto antiga e que eram, até bem pouco tempo, as casas mais antigas de Fortaleza. As quatro casas fotografadas até a demolição, serviram de residências. A casa maior, que vemos por trás, era o consulado britânico em Fortaleza. Esta foto foi publicada na revista "Cruzeiro", em artigo de Gustavo Barroso.
Sendo as casas mais antigas da cidade, situadas no início da primeira rua que teve a cidade, bem que poderiam ter sido conservadas, se aqui fosse uma terra de cultura, até para chamariz turístico, já que a cidade muito pouco tem a ser mostrado ao turista.
A Segunda foto mostra o que ficou no local, o prédio da esquina e um muro com terreno para estacionamento. Ao fundo, vê-se os prédios do centro da cidade.
A terceira foto, atual, colhida por Osmar Onofre, mostra um prédio de linhas modernas, que serve hoje de sede ao "Hotel Caxambu".
Para os que ainda não sabem, o local fica por trás de onde foi o Forum Clóvis Beviláqua que já não existe - foi implodido. Na esquina, prédio que serviu de anexo ao Fórum e que hoje se encontra em reforma. Ao longe vemos uma banca de jornais e revistas e em primeiro plano uma estaca formando uma cerca em redor da Praça Caio Prado (da Sé) que encontra-se em obras.
O restante do quarteirão antes ocupado por diversos sobrados, inclusive o do Hotel Bitu, está hoje somente com pedaços de muros mal cuidados que só enfeiam a cidade, com alguns estacionamentos e um mercado de rendas e bordados tipo "beco da poeira".
Rua General Bezerril - O Oitizeiro do Rosário
Existiram árvores famosas em Fortaleza, como o "cajueiro do Fagundes", o "cajueiro da mentira" ou "cajueiro botador". Hoje a única é o "baobá do Passeio Público".
O oitizeiro do Rosário ou do Instituto do Ceará ficava na Rua General Bezerril, por trás da igreja do Rosário, na esquina com a Rua Guilherme Rocha. Sua derrubada foi decretada em 1862, pela Câmara Municipal, quando do alinhamento das ruas, mas foi sustada pelo desembargador Jerônimo Martiniano Bandeira de Melo.
Em 1912 houve nova ameaça, mas a árvore escapou graças ao protesto popular e da imprensa. Mas em 1929 o prefeito Álvaro Weyne mandou derrubá-lo e a foto é do momento da derrubada. Vemos uma escada encostada e um operário em um dos galhos. Houve protestos por parte da população, mas desta vez de nada adiantaram.
Pode-se observar que o prédio do lado direito é o mesmo, o que não acontece com o da esquerda, que foi demolido e em seu lugar foi levantado o atual, do Banco de Fortaleza - Banfort. Antes, o velho prédio já abrigava o Crédito Popular São José, Sociedade Cooperativa de Responsabilidade Ltda., fundada em 1920 sob a responsabilidade do Arcebispado de Fortaleza, transformando-se, em 1939, em Banco Popular de Fortaleza S/A.
Dos prédios que ficam mais distantes, desapareceram todos os antigos, existindo hoje os chamados "espigões" rumo ao Infinito.
As ruas de hoje, já não são mais destinadas aos carros, mas transformadas em calçadões, onde transitam apenas pedestres. A árvore que vemos não é um pé de oiti e nem fica no mesmo local da antiga.
O oitizeiro do Rosário bem que poderia ainda hoje conviver com os transeüntes.

Rua Barão do Rio Branco

RUA BARÃO DO RIO BRANCO VISTA DA RUA SÃO PAULO
Estamos na Rua São Paulo, olhando para a Rua Barão do Rio Branco, para o lado Sul, ou seja, de costas para o mar. A foto antiga é de 1941 e mostra a Rua Barão do Rio Branco com pavimentação de paralelepípedo, com os trilhos e a fiação dos bondes elétricos e postes de ferro da "Light".
Do lado esquerdo, ficavam estacionados os automóveis, tendo à frente um Studebaker ou Pontiac.
As árvores eram uma constante na paisagem das ruas de Fortaleza àquela época. Do lado direito, vemos, em primeiro plano, parte do prédio do London Bank, seguido do edifício Studart, de Studart & Companhia, seguindo-se as firmas Lima & Albuquerque, Quixadá & Companhia, A Espingarda, etc.
À distância vemos o Edifício Diogo, inaugurado em 1940, que além do Cine Diogo abrigou ainda a Navegação Aérea Brasileira - NAB, Palácio da Criança, e nos 8º e 9º andares, a Ceará Rádio Clube (PRE-9, ZYN-6 e ZYN-7). Do lado esquerdo divisamos também o edifício Parente por trás das árvores.
A foto atual, tirada do mesmo ângulo, já mostra uma Barão do Rio Branco com. pavimentação asfáltica.
Os trilhos e fios dos bondes já não existem. Os automóveis de hoje já são outros e são chamados simplesmente de carros. Os postes hoje são de concreto e se multiplicaram.
A iluminação pública é a vapor de mercúrio. No local do "London Bank" hoje está a Losango Promotora de Vendas Ltda. e o edifício Studart foi demolido. Aliás, foi o primeiro edifício de mais de três andares, em concreto armado, a ser demolido em Fortaleza; seguem-se: "Lojas Americanas", Edifício Jalcy, Edifício Diogo, etc.
Do lado esquerdo vê-se o Edifício Jalcy Metrópole, o Edifício Lobrás, etc. A poluição visual está presente nas placas, nos cartazes, nos carros, nos ônibus e no oitão dos edifícios da Cidade.

RUA BARÃO DO RIO BRANCO - QUANDO ERA RUA FORMOSA
Estamos no quarteirão da Rua Formosa, em frente à Santa Casa e o Passeio Público, próximo a Rua Dr. João Moreira, na época Rua da Misericórdia. A foto data de aproximadamente 1906 e foi publicada no "Album de Vistas do Ceará - 1908", editado pela firma Boris Frères e impresso em Nanci, França. O fotógrafo estava na calçada do lado poente do Passeio Público, mais ou menos na altura do portão de entrada da Santa Casa de Misericórdia, olhando para o lado do sertão.
O primeiro cruzamento é com a Rua da Misericórdia, hoje Rua João Moreira. A casa do lado esquerdo já foi demolida.
A do lado direito foi residência do Dr. João Moreira, por isto o atual nome da rua. Em seguida, pelo lado direito, algumas casas residenciais sendo que uma delas, a listrada, foi depois a residência de Paurilo Barroso, amante das artes e que fundou a Sociedade de Cultura Artística, que funcionou em sua própria casa e depois em um dos apartamentos do Excelsior Hotel. Na mesma casa funcionou, anos depois a Câmara Municipal de Fortaleza e mais recentemente, o Sindicato dos Empregados em Transportes de Passageiros do Ceará. Em seguida vem uma casa de três portas, onde nasceu o escritor Gustavo Barroso.
O Passeio Público, que foi a primeira praça da povoação, teve sua construção iniciada em 1864 e terminada em 1879, embora tenha sofrido alterações até 1888, quando foi construída a avenida Caio Prado, aquela que fica na varanda que hoje dá para o estacionamento da 10a Região Militar. Em 1932 foram retiradas as grades de ferro e as colunas que o cercavam. Ha pouco tempo foram recolocadas grades de ferro e recentemente foi, reconstruído o muro ou cercado de colunas e grades de ferro idênticos aos originais, apesar de não mais ostentarem os jarros de porcelana.
A primeira foto é a que citamos acima, do álbum de 1908 publicado por iniciativa da firma Boris Fréres e impresso na França.
A Segunda foto data de 1989 e mostra o mesmo trecho já com as diferenças da época como asfalto, postes de concreto, carros, etc.
Na foto atual já vemos novos jarros colocados em cima das colunas, que existiam na primeira foto, mas não estavam na foto do meio.

RUA BARÃO DO RIO BRANCO ESQUINA COM RUA SÃO PAULO
A fotografia antiga data de aproximadamente 1922 e mostra a esquina da Rua Barão do Rio Branco com Rua São Paulo, na época em que no local ficava a "Casa de Móveis", da firma Sabino Borges & Cia, que trazia à época o nº 150 pela Barão do Rio Branco (hoje é 862). A firma foi estabelecida no dia 1º de janeiro de 1922 com um capital de sessenta contos de réis. Na esquina vê-se um combustor de iluminação pública a gás hydrogeno-carbonado e no calçamento de pedras toscas apiloadas, vê-se os trilhos de bondes. Na porta do estabelecimento estão o despachante aduaneiro José de Freitas, pai do compositor e violonista Aleardo Freitas e avô do Alano Freitas, ao lado do comerciante Sabino Borges.
A Segunda foto mostra, no mesmo local, após a demolição do antigo prédio e construção de um novo, o "Bank of London & South America Ltd.", chamado popularmente de London Bank, que à época da primeira foto funcionava no palacete Guarani, na esquina das ruas Barão do Rio Branco com Senador Alencar, onde hoje está uma loja da BCP. Muitos vultos de grande importância em Fortaleza foram funcionários do London Bank, como o fotógrafo Ademar Albuquerque entre outros.
A terceira foto, atual, mostra o mesmo prédio no qual funcionou o "London Bank" já ocupado pela "Losango Promotora de Vendas Ltda.", firma de empréstimos financeiros.
As diferenças entre as fotos são de época. Enquanto a primeira - a mais antiga - mostra a rua calçada com pedras toscas apiloadas, calçadas sem meio-fio, trilhos de bondes, combustor de iluminação pública a gás hydrogeno-carbonado, um sobrado com portas estreitas, telhados beira-e-bica, etc.; a segunda mostra uma arquitetura inglesa da década de 30, bem próxima à neoclássica, típica de estabelecimentos bancários europeus, janelas inferiores arqueadas e as superiores retangulares e por trás podemos ver parte do oitão do Edifício Studart, que foi o primeiro de mais de quatro andares, de concreto armado, a ser demolido em Fortaleza.
Nos dois lados copas de ficus-benjamin, fios cruzando o céu, calçada uniforme e a presença do meio-fio, etc.; a terceira foto, atual, mostra o mesmo prédio como está hoje, isolado, sem o Edifício Studart à esquerda que foi demolido e transformado em um estacionamento para carros, abrigando a Losango Promotora de Vendas Ltda., onde já existe o asfalto, a sinalização horizontal e vertical, semáforos, postes, fios, aparelhos de ar condicionado, etc.

RUA BARÃO DO RIO BRANCO CRUZAMENTO COM RUA GUILHERME ROCHA
96 anos separam as duas fotos. É o cruzamento da Rua Formosa (hoje Rua Barão do Rio Branco) com Travessa Municipal (hoje Rua Guilherme Rocha).
Na primeira foto vemos o tipo de iluminação da época, combustores a gás, em contraste com a segunda, a vapor de mercúrio; os veículos também são outros, em lugar da carroça e do bonde de tração animal, automóveis com motor à explosão; o calçamento contrasta com o asfalto e os prédios trazem além da diferença de época nas construções, a atual poluição visual e comercial. O sobrado na esquina, na velha foto, é do João Antônio Garcia e incendiou-se em 30 de setembro de 1929, sendo construído o que vemos na foto atual. Neste atual, funcionou a rádio Iracema, o Partido Comunista, a Liga Integralista a loja "A Espingarda", a sorveteria "Cabana", "A Esmeralda", em épocas deferentes.
O sobrado da esquerda era da família Justa e ali funcionou a "Pensão Familiar", a "Farmácia Albano", a "Farmácia Meton", a "Farmácia Fortaleza", o "Café Rex", "sorveteria Pontes", a casa de merendas "Plc-Nic" e hoje é o Edifício Jalcy, tendo no térreo as "Óticas Itamaraty", o "Palácio das Canetas" e o "Waldo's", café e tabacaria.
O calçamento na foto antiga é do tipo ainda hoje utilizado nos bairros distantes, e que foi apelidado de "cearalepípedo". São pedras toscas quebradas à marreta. Antes as pedras são extraídas nas serras, por meio de dinamite. Os calçamentos se iniciaram em Fortaleza ao tempo da seca de 1877, quando foi aproveitada a mão de obra dos flagelados que traziam os blocos de pedras nos ombros desde as pedreiras.

RUA BARÃO DO RIO BRANCO ESQUINA COM RUA GUILHERME ROCHA II
O velho sobrado da esquina da Rua Guilherme Rocha com Rua Barão do Rio Branco, deu abrigo, por muitos anos, a "Pensão Familiar", a "Farmácia Albano", a "Farmácia Meton", a "Farmácia Fortaleza", o "Café Rex", "sorveteria Pontes", a casa de merendas "Plc-Nic" e hoje é o Edifício Jalcy, tendo no térreo as "Óticas Itamaraty", o "Palácio das Canetas" e o "Waldo's", café e tabacaria.
Ao tempo da "Farmácia Albano", de Antônio Albano, pai, de José Gil Amora, nos fundos tirava o jornal "O Garoto'" da Academia Rebarbativa.
A foto antiga não é tão velha, datando da década de 1940 já em seu final. Apesar da presença dos trilhos e fios de bondes, talvez esses já não mais existissem, pois deixaram de circular em 1947. A rua ainda era calçada com paralelepípedos. Vemos no velho sobrado os "jacarés" para descida d'água.
A foto atual mostra. No local do velho sobrado da "Farmácia Albano" o Edifício Jalcy, inaugurado em 1959, que traz na parte térrea o "Waldo's" (café e tabacaria). Em seguida vêm várias lojas e depois o edifício Diogo, hoje transformado em "shopping" e várias lojas e bancos, com destaque para a "Casa Pio", "Fininvest", Bradesco, "Charmile", "Bunny's", "Lojas Pecary", Banco de Crédito Real de Minas Gerais, etc.
O asfalto, a sinalização, os carros, telefones públicos (orelhões), postes de concreto-armado, semáforos, iluminação pública a vapor de mercúrio, tapumes e vestimentas das pessoas, mostra a diferença de época das duas fotos.
Chamamos a atenção para a quantidade de aparelhos de ar condicionado nos prédios, principalmente no Jalcy.
Av. BARÃO DO RIO BRANCO - ANTIGA RUA FORMOSA
Estamos no meio da rua Formosa hoje Barão do Rio Branco, de costas para o sertão e de frente para o mar. Avista-se o cruzamento com a rua São Paulo. Na foto antiga, do lado esquerdo, vemos, em primeiro plano, uma casa escura, que era residência do tabelião Pamplona, depois Cartório Tabelião Joaquim Feijó de Melo. Funcionou também no mesmo prédio a Tipografia Cearense.
A seguir vem uma casa de drogas de Antônio Gonzaga e outra de Guilherme César da Rocha e ainda uma refinaria de açúcar de José Joaquim Alves Linhares. No sobrado, de Joaquim Paulino Barroso, funcionou o escritório da companhia de bondes. O prédio da esquina era de propriedade do português comendador Francisco Coelho da Fonseca, onde foi também estação telegráfica.
Muitos anos depois ai estiveram entre outros: Banco Francês Brasileiro, Quixadá Tintas nº 1, Audi Promotora de Vendas, União dos Bancos, Edifício Studart, London Bank; Lima & Albuquerque.
Do lado direito existia a movelaria, Monteiro, onde funcionou depois o cinema Rio Branco, Agência do Loyde Brasileiro (ver a bandeira) e o "Rocambole", de Bernardino Plácido. Anos depois funcionaram ali: Planos Técnicos Brasil, "Friolar", Tecidos Bezerra, Banco dos Proprietários, Banco Mercantil de São Paulo, Cimaipinto e na esquina o café América.
No quarteirão seguinte, do mesmo lado, a Casa Villar, o foto Olsen, em outras épocas, a tipografia Carneiro e a Agência Iracema, de Roque Macedo.
A foto atual, de Osmar Onofre, já mostra total modificação. Já não existem as casas antigas e nem o edifício Studart, que foi demolido e hoje é um estacionamento para carros, sem teto.
Do lado esquerdo há casas de bingo, Lojas Americanas, Losango promotora de vendas, Unibanco e no quarteirão seguinte a Arca da Aliança. Do lado direito, O BICBanco, o Banco Mercantil de São Paulo - Finasa, um estacionamento e uma casa Miami Bolsas. Destaque no quarteirão seguinte para o hotel Sol, antigo Premier, seguido da loja do Baú da Felicidade. Quase todas as casas comerciais antigas e também as mais modernas desapareceram e estão hoje fechadas.
RUA BARÃO DO RIO BRANCO ESQUINA com RUA JOÃO MOREIRA
Este é o primeiro quarteirão da rua Barão do Rio Branco logo após a Santa Casa de Misericórdia. Atualmente é rua Barão do Rio Branco com João Moreira.
A casa que vemos à esquerda (uma parte) na foto antiga, que data de 1905, era o Hotel Popular. Do lado direito vemos a casa da esquina, que serviu de sede do Teatro São Luiz, de Joaquim Felipe de Meio. Foi ali que esteve, em 21 de julho de 1882 o maestro Carlos Gomes.
Em 1896 o teatro fechou e o Dr. João Moreira passou a residir na casa. Daí seu nome na rua que corta perpendicularmente a Rua Barão do Rio Branco. A casa vizinha foi construída no ano em que o teatro fechou, 1896 e serviu como residência. Nela morou, já nas décadas de 30 e 40 do século passado, o compositor e teatrólogo Paurilo Barroso, que ali instalou a Sociedade de Cultura Artística, que tantos serviços prestou à nossa terra no âmbito da cultura. Quando Paurilo mudou-se ali se Instalou a Câmara de Vereadores de Fortaleza. Na terceira casa, a escura, de três portas, nasceu o escritor Gustavo Barroso. Seguem-se várias casas, todas térreas e que eram residências.
À frente da casa listrada, está um bonde de tração animal, da Companhia Ferro Carril do Ceará. Eram bondes puxados por burros, variando em tamanho e quantidade de muares. Existiam os de uma e os de duas parelhas de burros.
A segunda foto, de 1986, e a atual mostram as diferenças ocorridas nos anos entre as fotos. A casa da esquerda desapareceu dando lugar a um muro onde fica um dos muitos estacionamentos para carros que enchem a cidade e que servem de suporte para produção de grafiteiros ou para colocação de propaganda política. Do lado direito a casa da esquina está completamente descaracterizada, além de dividida. A casa vizinha, que antes era listrada, que até a segunda foto ainda tinha portas com varandas, deixou de ter portas que se transformaram em janelas e a parede térrea foi protegida com pedras. O restante das casas foi todo alterado com reformas para pior.